CRÍTICA – PIRANHA 2

Referências ao próprio gênero e apelação ao sexo são o mote de “Piranha 2”. Mas, quando mau realizado, um “filme B” pode transcender a sua já tolerada falta de coerência para se tornar um projeto bastante aborrecido.

Existem filmes que, por sua própria natureza, se mostram aptos apenas a nos dar diversão durantes as duas horas em que estaremos assistindo. Não se propõe a nos dar alguma elocubração posterior, nem a abordar temas polêmicos ou que ao menos sirvam para um eventual debate entre amigos. Há filmes que simplesmente nos traz o escapismo da vida real, em situações absurdas que apenas nos dá o deleite momentâneo para que, assim que saímos da sala de cinema, já nos esquecemos do que foi experimentado.

E filmes como esse “Piranha 2” é nesse estilo. Porém não traz diversão alguma para o espectador. Muito pelo contrário. Acontece que a produção é muito mal realizada, com defeitos em todos os aspectos, tanto nos quesitos técnicos quanto nos de atuação e narrativa. Seria até interessante um filme sobre a invasão de piranhas em um parque aquático, mas esse aqui não consegue explorar de forma satisfatória seu material.

Continuação do filme de 2010, a trama se inicia nos lembrando de toda a atrocidade que foi causada no Lago Vitória pelo ataque das piranhas. Aí, logo em seguida, temos a sequencia inicial propriamente dita, mostrando Gary Busey no primeiro ataque dos animais para se estabelecer o ritmo do filme. Repete-se o que aconteceu no título original, onde tínhamos Richard Dreyfuss sendo atacado. Mas quando no primeiro se estabelecia uma referência (ou mesmo uma lembrança) do filme “Tubarão” (o que acaba sendo curioso por ambos tratarem de animais marinhos atacando banhistas), nesse segundo não temos qualquer ligação do personagem com algum filme do gênero que o tenha marcado. Sim, é um bom ator, mas hoje em dia está apagado e não tem em seu currículo qualquer clássico que venha a mente (foi vilão em alguns filmes de ação, como “Máquina Mortífera”, “Caçadores de Emoção” e “Zona Mortal”, mas nenhum que se conecte com o filme em tela). Ou seja, mau uso de um bom ator, desperdiçando o bom potencial que poderia ter. Mesmo porque, seu tempo em tela deve ser de uns dois minutos.

Gary Busey não é aproveitado

Assim, quando a história começa mesmo, vemos o quão fraca é a narrativa. A protagonista, moça comportada, é sócia minoritária de um parque aquático, que é dirigido por seu padrasto. E ele, como é uma pessoa desprezível, busca de toda a forma transformar a atração com o maior apelo sexual possível. Dessa forma, tudo é motivo para se apresentar nudez e piadas que envolvem a conotação sexual. Isso só mostra o desespero dos realizadores do filme em tentar atrair o público adolescente para as salas, o que apenas transparece o ridículo e o imoral da história. E não é a toa que o título original traz um “DD”, que nada mais é do que a medida de biquini para seios grandes. Percebam que tudo é escancarado para o apelativo, mas nada que conserte suas falhas como produção.

E tudo no filme é mostrado tão óbvio, que duvidamos se realmente as conclusões serão mesmo as que foram sugeridas. Desde o casal de amigos coadjuvante (que sabemos que morrerá), até o amigo que tem uma paixão platônica pela protagonista (que sabemos que será o herói da trama). Tudo é bastante previsível e sem graça. Por isso que, quando vemos que o personagem tem uma boa mira mas não sabe nadar, já sabemos que usará seu talento para salvar a moça e superará seu medo da água.

E os absurdos também se mostram na conduta dos personagens, principalmente quando vemos uma determinada pessoa, assumidamente virgem, após a cientificação do falecimento de amigos pelo ataque das ditas piranhas, e ainda após escapar ela mesma de um ataque, acaba por virar a seu companheiro e dizer que ficou com vontade de ter relações sexuais com ele. E ainda, quando a protagonista, a fim de investigar o surgimento dos aminais marinhos, decide mergulhar no lago (!), sem qualquer equipamento ou proteção.

E se temos o prazer em rever Christopher Lloyd, reprisando o papel do primeiro filme, com aparições que muito lembraram o personagem Dr. Emmett Brown de “De Volta para o Futuro”, o oposto se mostrou no surgimento de David Hasselhoff (interpretando ele mesmo). A piada envolvendo seu papel em “S.O.S Malibu” é insistida de tal maneira que acaba ficando aborrecida ao invés de engraçada. Ving Rhames também volta, com uns apetrechos bastante semelhantes aos de Cherry Darling de “Planeta Terror”, o que pode até parecer como uma homenagem, mas sem qualquer efeito dramático, servindo apenas como preenchimento de tempo de tela, mesmo.

Hasselhoff é a piada insistente (reparem na imagem invertida, que inclusive aparece no filme)

A trilha sonora que dá ênfase a barulhos altos, assim que surge uma piranha, apenas para nos dar um susto não pela imagem, mas pelo som, e os efeitos especiais, que deixam escancarado o fato de termos um peixe de borracha e um exagero de sangue nas mortes dos banhistas, mostram que a película é a da mais baixa categoria de “filme B”.

Com um 3D que exagera nas imagens que pulam para fora da tela, o que para uns pode ser divertido, o filme também traz ao final os “erros de gravação” que, por incrível que pareça, são mais interessantes que a própria produção em si. Não que seja interessante, mas “mais interessante que o filme”, o que não é grande coisa.

Enfim, uma experiência que não traz uma contemplação do que foi visto, mas sim repugnância plenamente descartável.

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6 Responses to CRÍTICA – PIRANHA 2

  1. Ivan says:

    Uma pena. Um desperdício de dinheiro e de bons atores….

  2. Bruno says:

    Sequência mal aproveitada, tempo perdido e piranhas toscas,Infelizmente.A Crítica condizente.

  3. Vanessa says:

    Eu comecei assistir e achei que estavam indo bem até a cena que uma piranha entrou na moça, na hora achei que não era isso mas, quando ela vomitou e u pensei:
    Que filme lixo!
    Não tem “time” dos acontecimentos e até mesmo um ‘comédia sem nexo” precisa do minimo de continuidade mas, cheguei no meu limite quando a piranha saiu de dentro da moça e mesmo com aquela quantidade de suposta perca de sangue o cara sobrevive.
    Sinceramente sou amante de filme de todas as categorias e só lamento quando atores se prestam a envolver seus nomes neste tipo de “coisa” que querem chamar de “produção”.
    Muito triste mesmo desperdício de talento e tempo.

  4. mateus says:

    eu sinceramente não gostei do filme se piada explicita e despero total esse filme tenta chamar a atenção de jovens.o final é sem sentido quando o salva-vidas atropela a mãe de uma garota e joga dinheiro para se desculpar e a menina vê se a nota é falsa e quando a cabeça dele aranca e vai parar no peito de uma mulher.há se a cena de sexo não envolvesse a piranha até que seria interresante.

  5. Mônica says:

    Sinceramente, não curti o filme. Há muitas partes sem nexo, roteiro pobre, e esse mix de comédia, terror e nudez ao msm tempo não colou, virou algo apelativo e sem graça. O pior é o final que é um lixo…. pessoas tirando fts das piranhas como se nada tivesse acontecido…. Enfim, desejou muitoooo a desejar.

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