CRÍTICA – THE LOVED ONES

 

No ótimo “The Loved Ones”, a rejeição na adolescência em um lar doentio pode causar graves consequências.

O sonho de toda a adolescente é poder dançar o baile de formatura com o garoto querido da escola. E quando esse sonho é frustrado, seu mundo cai e a jovem é tomada por uma força negativa interna que pode gerar uma tristeza profunda, acometendo sua alma, o que muitas vezes fica por lá mesmo em seu âmago. Quando essa força é extrapolada e vira violência, estamos diante de uma psicopatia retratada com bastante competência nesse “The Loved Ones”.

A princípio, temos a visão da cidade tranquila, onde o jovem Brent dirige um carro, passeando pela estrada com seu pai. Subitamente, avista um transeunte no meio do caminho, fazendo o veículo bater em uma árvore. Logo sabemos que seu pai faleceu. E a responsabilidade pela morte é o peso que carrega o jovem nos meses posteriores, adquirindo graves transtornos, como auto-mutilação, introversão e, principalmente, o medo de dirigir. Nota-se que o trágico fato, que o torna mais resistente à dor e mais apático emocionalmente será de extrema valia para o que transcorrer da história.

E é então que o garoto recusa o convite para ir ao baile de formatura com a colega Lola (mesmo porque ele já tem namorada e não está muito preocupado com isso). Com a rejeição, surge a raiva posterior da menina, que irá gerar consequências assustadoras.

Namorados felizes, momentos antes do perigo.

Estamos diante de um filme que traz o melhor dos elementos de personagem em cárcere privado. No melhor estilo “Louca Obsessão”, vemos situações tensas e ao mesmo tempo grotescas. É realmente a loucura tomando conta das pessoas, principalmente na relação entre Lola e seu pai, onde se sugere um desejo quase incestuoso, em prejuízo de sua própria mãe, o que traz à tona o ambiente doentio da casa.

E curioso também perceber que há uma espécie de história paralela acontecendo entre os amigos de Brent que, a princípio pode não ter qualquer relação, mas que chegando ao final da projeção, temos a revelação que faz bastante sentido e liga os pontos tanto para a conexão entre os personagens, como a tomada de atitude deles para com a situação de emergência.

Os amigos também tem papel fundamental

Outro destaque é a trilha sonora, composta basicamente de melodias que mesclam entre o pop, o romântico e o rock pesado. Tudo variando de acordo com a personalidade de cada um. Sendo assim, enquanto ouvimos uma música serena para a namorada de Brent, demonstrando sua doçura, tem em seguida um trash metal para descrever o sentido auto-destrutivo do protagonista.

São situações de aflição, de confronto, de tensão, passando por revelações e reviravoltas e tomam ritmo na narrativa. Nada é por acaso no filme. Todo o suspense e terror que possam ser usados para prender o público na poltrona são bem realizados. E as atuações ajudam bastante. Sendo composta de atores desconhecidos, eles dão bastante credibilidade e cumprem bem o papel de retratar confiabilidade nos personagens.

A rejeição pode ser fatal

Como nada é por acaso, todos os detalhes contam. E isso é realizado de forma bastante eficaz pelo filme. Detalhes como a corrente de gilete do rapaz, a declaração de quem o convidou para o baile à sua namorada (e a já mencionada resistência a dor), tudo será usado em prol da história, a fim de arrebatar na excelência da conclusão da narrativa.

Um filme que traz todos os bons elementos do gênero, em simplicidade de contexto, mas ao mesmo tempo dizendo muitas coisas. É… a passagem para a vida adulta pode ser marcante em todos os sentidos.

 

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One Response to CRÍTICA – THE LOVED ONES

  1. Juliana says:

    Bela crítica. Só o final que me desapontou, queria ver Lola pagando por tudo que fez!Morreu rápido demais, tinha que morrer aos pouquinhos…

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