Crítica – Bel Ami: O Sedutor

Um ator sem carisma pode estragar uma narrativa que se ancora justamente nos personagens. Mas não é perseguição ao ator em si: o filme tem muito mais problemas.

A alta sociedade francesa do fim do século XIX, sendo retratada sob o ponto de vista de que as mulheres é que comandam por trás dos grandes líderes. É aí que chega um homem sem passado nenhum, com a vontade de vencer na vida, chegando-se portanto, à conclusão de que, para isso, precisa seduzir essas mulheres poderosas.

Um filme desse gênero precisaria de um ator com bastante carisma para nos fazer acreditar que realmente a sedução foi eficaz. Contudo, escalam a figura de Robert Pattinson para tal papel, que, com seu rosto de cera e seu sorriso forçado, nos faz apenas indagar por quê isso foi possível, por quê essas mulheres se vêem tão atraídas a ele. E por quê, por quê eu continuo a assistir a esse filme?

De que adianta você trazer um filme em que há três mulheres de forte presença (interpretadas por atrizes de alto gabarito, como Uma Thurman, Kristin Scott Thomas e Christina Ricci), se o sedutor acaba sendo este famoso por ter a alcunha de não ter expressão alguma. E isso prejudica bastante a fluência da narrativa, pois sempre nos vemos descreditando os personagens por suas atitudes. Fica difícil compartilhar do sofrimento de uma esposa, ou da decisão de casamento de outra, se não cremos nos sentimentos.

Mas não é só isso. A produção ainda traz alguns problemas na própria fluência dos fatos, que independem da interpretação. Assim, se por um lado temos pouca ênfase no início da história na personagem de Uma Thurman, que aconselha Robert Pattinson na campanha e sedução, por outro vemos excessivamente o marido daquela tossir, e tossir e tossir, sendo certo que uma hora passará desta para melhor. Esses são apenas alguns exemplos de vários que aparecem na projeção. Faltou um pouco de ritmo e equilíbrio nas ênfases dos fatos.

Difícil acreditar na sedução

Outro detalhe é a própria sedução em si: Não vemos uma abordagem que seja plausível para a atração. Tudo parece um tanto forçado e brusco. Como se fosse muito fácil conquistar uma mulher. E não apenas uma mulher, três mulheres. E não só isso, mulheres casadas com homens poderosos, que teriam muito a perder caso descobrisse um adultério.

Enfim, o filme também utiliza por vezes de fotografia azulada para caracterizar a tristeza e a miséria moral do protagonista, mas isso não é nem um pouco trabalhado de forma competente. Ainda traz algumas vezes a figura de uma barata perambulando pelo chão, como se isso significasse alguma coisa. Até deveria significar, mas é tão mal colocado que não cumpre seu papel de linguagem.

Ou seja, essa sedução só serve mesmo para o filme, eis que o espectador fica só na indignação de sempre ser lembrado de que tudo só passa de uma história inverossímil.

Anúncios

One Response to Crítica – Bel Ami: O Sedutor

  1. Ivan says:

    Boa crítica. Aí vai a pergunta. Quem seria mais patético: Robert Pattinson em “Bel Ami: O Sedutor” ou Kristen Stewart em “Branca de Neve e o Caçador”? Alguém teria essa resposta?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: