Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy – 2014 – EUA – 121 min) – Crítica

por Gabriel Escudero 

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Recheado de músicas setentistas, em uma aventura espacial divertida e bem humorada, “Guardiões da Galáxia” resgata os bons tempos das matinês.

guardians-of-the-galaxy-poster-new-HDUma coisa se pode falar do filme: você sai leve, de alto astral, com vontade de viver novas aventuras com o grupo. E esse mérito se deve a um recurso inusitado usado na produção, que é a música diegética como elemento indicador do clima da história.

O protagonista, Peter Quill, é uma criança dos anos 80 que possui um walkman com uma fita reunindo faixas clássicas dos anos 70, por influência de sua mãe. Como todo bom pré-adolescente da época, saía com seu aparelho na cintura pra todo o canto, ouvindo as músicas inspiradoras. Pois bem, ele é abduzido e pulamos para sua fase adulta, quando se torna um explorador espacial (mais como um bandido, que rouba objetos valiosos de planetas inóspitos), e lá vai música novamente no mesmo walkman.

E isso vemos durante a projeção de todo o filme. Se no começo ele escuta uma canção mais depressiva, o que denota aflição ao se deparar com sua mãe doente, passa a ouvir uma mais dançante, empolgado com a premente captura de um objeto valioso, bem como a uma mais romântica, ao se deparar com uma possível relação amorosa.

A música é um dos fatores que torna esta narrativa muito interessante e atrativa, vez que atiça nossos sentidos e nos traz empatia com o protagonista. E devo dizer que, ao final, sem soltar spoilers, o clima alto-astral deve-se principalmente pela música tocada.

Um tópico que merece pleno destaque também são os efeitos e maquiagens, que trouxeram vivacidade e referência ao ambiente das histórias em quadrinhos. Com seus coloridos verdes e azuis ,os alienígenas retratados no filme são de uma afinação ímpar, notadamente as “filhas” de Thanos, Nebula e Gomora, que espelham o cuidado que se mostrou na produção quanto à caracterização dos personagens.

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Quanto aos efeitos, vemos os personagens digitais ganharem destaque pela facilidade de interação com o ambiente natural e seus colegas de carne e osso. A dupla Rocket e Groot formam o perfeito status do avanço que a tecnologia pode proporcionar ao conferir simpatia, por mais absurdo que o antropomorfismo possa parecer.

Mas o que realmente denota uma individualidade ao filme, que não o faz parecer com muitos outros do gênero que vemos por aí, é a capacidade de se fazer rir, sem parecer paródia. São diálogos bem sacados, cheios de ironia, sem contar as gags visuais e as situações absurdas que permeiam a história. Certamente uma toada diferente da que ultimamente se via, principalmente às produções com personagens da DC, com tom mais sério e realista.

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O clima de aventura espacial vista no filme desde já nos remete a “Star Wars” e mais alguns títulos vindos dos anos 80, especialmente “O Último Guerreiro das Galáxias”, mas temos também que trazer créditos a “Firefly”, seriado que muito se assemelha ao ambiente tanto espacial quanto bem-humorado do filme. Vale destacar que a série, não à toa, foi criada por Joss Whedon, diretor de “Os Vingadores” e consultor criativo dos filmes da Marvel desde então.

E por falar em filmes dos anos 80, nota-se uma semelhança entre a sequencia da captura do artefato no início do filme, com a do ídolo de “Os Caçadores da Arca Perdida”, o que já nos traz a grata remissão às aventuras de matinês, que se encaixa perfeitamente na narrativa de “Guardiões”.

Contudo, para não se dizer que tudo são flores no filme, há que se criticar a forma com que trataram da personagem Gomora. Um tanto forçado ao colocar suas reais intenções (o que se repete quanto à sua “irmã” Nebula), e também uma certa unidimensionalidade ao mostrar seu papel na formação grupo. Em outras situações, embora pareçam engraçadas, mostram que forçaram um pouco a barra ao solucionar uma situação que precisava ser urgentemente pensada.

Mas enfim, o que fica é a ideia de grupo, de que podemos fazer e acontecer se trabalhamos em conjunto, e que, apesar das adversidades e de eventuais tristezas, podemos nos levantar e viver plenamente novos desafios.

O uso de efeitos 3D no filme não atrapalham a narrativa e até nos faz imergir ainda mais no ambiente, pelos seus objetos flutuando, que mostram toda a profundidade de um espaço sideral. São pequenos detalhes que não servem para a narrativa em si, mas deixam a experiência um pouco mais densa.

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Composto de um elenco bastante eclético, com um até então desconhecido Chris Pratt como protagonista, Glenn Close em ponta mais burocrática e Benício del Toro em uma cena chave, a produção ousa em trazer o nome de Vin Diesel, certamente um chamador de bilheteria, dublando apenas uma frase repetidas vezes. É curioso e o resultado bastante eficaz para o filme.

“Guardiões” inaugura uma nova fase para o universo cinemático da Marvel, em sua ambientação cósmica. Mas não apenas isto, ele pode trazes uma nova visão sobre o gênero de adaptação de quadrinhos, deixando de se levar muito a sério e assumindo o que o público realmente pretende ver nessas aventuras, que é a diversão. Bom é que, no próprio filme, já avisam que “The Guardians of the Galaxy will return”!

E aguardem para a cena pós-créditos, já tradicional na Marvel, que embora acredite que não sirva como aperitivo para uma próxima produção, traz um inusitado personagem, que para quem conhece do histórico no cinema, será no mínimo curioso e engraçado. Como se a Marvel no final tivesse fazendo graça dela mesma.

Nota: 9

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