O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel – 2014 – EUA – 100 min) – Crítica

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Como uma obra de arte em movimento, Wes Anderson consegue traduzir ao cinema de hoje todo o espírito da era de ouro da Europa

poster budapestÉ admirável quando vemos o cineasta traduzir, nas imagens projetadas na tela, toda a fantasia e ambientação do glamour europeu dos anos 30. São cenas pacientemente trabalhadas e detalhadas, com cores marcantes que nos dão uma rajada de símbolos ilustrando a magia que permeava a mente dos autores literários da época.

E como visão literária, cumpre observar que o filme é inspirado nos escritos do austríaco Stefan Zweig (que curiosamente morreu no Brasil), e retrata um fictício escritor dos anos 80, famoso e venerado por ter escrito um livro cujo título dá nome ao filme. Essa obra foi inspirada em conversa que o autor teve com o dono do decadente hotel nos anos 60, e trata de acontecimentos nos anos 30. A essência de literatura se intensifica quando observamos ao final de cada diálogo um “- ele disse”, como é feito em livros.

Com essas três linhas de tempo (anos 80 – 60 – 30), vemos também três razões de aspecto (formatos de tela), que espelham o que era normalmente projetado nos cinemas de cada época. Nada que confunda, apenas presta homenagem e retrata com fidelidade, não só móveis e decoração, como também figurino e contexto histórico. Até mesmo o ritmo também se diferencia, com um clima mais agitado, como nos antigos filmes dos anos 30 e um mais vagaroso quando chegamos aos anos 60.

Basicamente, vemos a história de M. Gustave, gerente do Grande Hotel Budapeste, que se vê injustamente acusado de matar uma velha senhora rica, que lhe deixou uma obra de arte como herança, e fica em meio a um complô dos familiares que querem tirar-lhe esse objeto.

A atuação de Ralph Fiennes como protagonista é primorosa, com seus trejeitos e dicção próprios para o cargo que lhe incumbe no rigor do trabalho e sutileza no tratamento dos hóspedes. E é um prazer também ver velhos parceiros do diretor, como Bill Murray, Owen Wilson, Jason Schwartzman e Bob Baladan atuando em pontas.

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Tudo é muito fantasioso. Desde os cenários suntuosos, até os diálogos e reações de personagens. Os herdeiros da velha rica são retratados quase como góticos (da forma que vilões seriam vistos em filmes antigos mudos), e os policiais com chapéus que lembram muito os Keystone Cops. Inclusive as cenas de ação mais parecem tiradas mesmo de um filme antigo, com técnicas próprias que nos deixam mais próximos da ambientação de época.

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Com uma trilha sonora rápida e envolvente, ao ritmo da Balalaica russa, a película cumpre seu dever de entreter, de prender a atenção do espectador, até seu trecho final. Talvez aí falhe em seu intuito, eis que sua finalização, além de um pouco piegas e repentina, dá a impressão de não corresponder com o restante da produção, digna de um antigo suspense policial com humor negro. Mas esse pequeno detalhe não esconde o que vários outros detalhes demonstram: que se trata de um belíssimo filme.

Nota: 9

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