Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood – 2014 – EUA – 165 min) – Crítica

boyhood head

Levando 12 anos para filmar, Boyhood é o retrato fiel de uma vida

boyhood posterAcompanhar a vida de um garoto pode parecer trivial em nossas vidas reais. Mas transportar essa mesma experiência em um filme é algo um tanto complicado, por conta do tempo narrativo, da história a ser contada e da escalação de atores para o devido envelhecimento da pessoa. A não ser que você tenha o afinco de seguir os filmes de Harry Potter ao longo dos anos, ou mesmo um seriado juvenil duradouro com várias temporadas (como Dawson’s Creek e O Quinteto, que tiveram duração de cerca de 6 anos), e que convenhamos são para pessoas dedicadas e com extrema simpatia pelos personagens, não se vê uma outra forma de retratar a passagem do tempo na infância.

Mas este filme conseguiu. Nele, temos uma exata noção de como um menino passa suas fases da vida até chegar a um adulto de personalidade consolidada. Usando os mesmos atores, com duração real de 12 anos, gravando pequenas cenas, com grandes espaços de intervalo, as filmagens captaram toda a essência de sentimentos que nunca tinha-se conseguido em um filme.

A história gira em torno da vida de Mason, filho de pais separados que passa por esses anos enfrentando as dificuldades afetivas dos novos parceiros de sua mãe, ao mesmo tempo em que participa, à distância, de uma nova vida familiar de seu pai.

Ao vermos o mesmo ator mirim, no decorrer do filme, crescendo, amadurecendo, podemos ter uma impressão parecida com a de seu pai, que o via de vez em quando. De repente, aparecia mais velho, com cabelos compridos, para depois em uma próxima visita, aparecer de cabelos raspados, ainda mais alto e com espinhas.

Boyhood 1

E não só a parte física dos personagens, mas também todo o cenário político e cultural das diversas épocas que passam em nossas vistas e percebemos como muita coisa muda de lá pra cá. Desde a trilha sonora, composta apenas de músicas pré-existentes, que marcam os períodos retratados, e é com satisfação que reconhecemos as músicas que embalaram os anos passados e já nos ambientamos no filme, até mesmo os contextos sociais, culturais e políticos, quando observamos um pós-11 de setembro, as eleições presidenciais americanas, e o advento de uso de celulares e vídeos da internet. Tudo mostrado muito naturalmente, com fluidez e sensibilidade para o espectador.

E esse acompanhamento só nos traz empatia aos personagens, como se realmente estivéssemos presenciando um drama real, familiar. E é com angústia e uma certa melancolia que observamos os aspectos inevitáveis da vida, que acabam por marcar as vidas de cada um dos membros, como o alcoolismo de um padrasto, ou mesmo a negligência da mãe para dar conta de seu futuro profissional.

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Algumas sequencias podem até parecer triviais e desnecessárias, mas é fácil perceber que, como também em nossas vidas, há momentos sem qualquer efeito bombástico, mas que mesmo assim, fazem parte de nossa história, como na história do filme, na história da vida de Mason.

Sendo assim, assistir ao filme é como se revisássemos a vida inteira de um círculo familiar, para que aprendamos com os erros alheios a sermos pais e filhos melhores, pois a vida passa. E rápido. Como se 12 anos se passassem em um piscar de olhos. Ou, no caso do filme, em pouco mais de 2 horas.

Nota: 10

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