A Visita (The Visit – 2015 – EUA -94 min) – Crítica

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Com simplicidade e bastante perspicácia, M. Night Shyamalan nos traz um terror com pés no chão

The_Visit_(2015_film)_posterUm casal de irmãos vai visitar seus avós, que nunca conheceram, para passar uma semana juntos e assim, além de proporcionar um tempo de folga pra mãe, também servirá como um modo de afastar as mágoas do passado (a mãe fugiu de casa na adolescência). Com esta simples premissa, acompanhamos as crianças para experimentarmos que nada pode ser o que parece, a amabilidade dos idosos pode ser traiçoeira.

Utilizando como técnica narrativa o found footage, observamos a história pela lente da câmera da garota, que pretende filmar um documentário sobre o encontro com os avós. Assim, mostra ainda mais naturalidade com os acontecimentos, nos aproximando na cena e isso funciona para que fiquemos aflitos e tensos com qualquer anormalidade vista no filme.

E é notável como o diretor consegue trazer terror sem qualquer viés sobrenatural. Ficamos até propensos a imaginar que algum espírito, fantasma, ou até mesmo alienígena, poderia aparecer e justificar todos os sustos tomados no decorrer do filme. Mas é importante também percebermos que o próprio ser humano, com toda sua complexidade psicológica, pode ser assustador simplesmente sendo ele mesmo. E olha que, para nos pregar algumas peças, a própria história nos faz pensar em várias possibilidade, como um balanço que se move organicamente sozinho, uma história de alienígenas contada pela avó e até mesmo alguém coberto com lençol (como um fantasma). Tudo isso traz elementos em nossa mente para prevermos alguma conclusão do filme, o que pode ser útil ou não.

Embora traga bom humor e uma eficaz interação entre as crianças, a trama falha um pouco na questão dramática familiar ao abordar com um sentimento um tanto por vezes forçado e por outros em falta, o que acaba por restringir o gênero. Ficamos apenas com as situações de tensão e sustos.

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Porém há que se reconhecer a abordagem sobre rancores familiares, frustrações maritais e doenças da velhice. Sabe-se que a mãe das crianças fugiu de casa para ficar com um parceiro mais velho, e que este parceiro acabou abandonando-a com filhos pequenos, e esta visita serviria como uma tentativa de reconciliação que a filha planeja para aproximar os avós à sua mãe. Acabamos por nos adentrar em psicológicos da mãe, que com a rejeição necessita de terapia e criou um complexo em sua cabeça, e ainda da filha, que tem problemas com sua auto-estima e vaidade, e também de seu irmão, traumatizado pela decepção paterna no esporte. Passamos pelos avós, que com o tempo passam a demonstrar problemas físicos da velhice psicológicos de senilidade, o que também ilustra o cuidado que se tem que tomar nessas condições. Tudo isso aparece, mas não traz um foco para que possamos adentrar a uma discussão mais profunda.

Mas pelo menos no suspense é bastante competente, trazendo cenas que intrigam, assustam e surpreendem. Não chega a ser uma obra-prima do suspense, mas funciona. E isso sem efeitos especiais e sem trilha sonora. Apenas nossa realidade pode ser mais assustadora do que pensamos.

Nota: 7

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