Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) [Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance) – 2014 – EUA – 119 min] – Crítica

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Escalando o ator que se encaixa perfeitamente com o papel, Birdman traz surrealismo e teatralidade ao cinema

Birdman_posterCertamente, há filmes em que pensamos  que determinado ator se encaixa como uma luva ao personagem. Porém, neste caso de Birdman, observamos que muito provavelmente o protagonista foi idealizado com o próprio Michael Keaton em mente, tamanha que é a semelhança do background do ator com o personagem Riggan Thomson. Talvez não se assemelhem no temperamento e contexto familiar, mas com certeza suas carreiras se alinham nos diferentes mundos da realidade e ficção.

Riggan Thomson é um ator decadente, que há vários anos protagonizou uma série de filmes de super-herói e hoje se vê estigmatizado com tal personagem, tentando uma retomada em sua carreira, produzindo uma peça de conteúdo mais profundo na Broadway. E, por aqui, temos Michael Keaton, que se tornou mundialmente conhecido com o Batman dos filmes de Tim Burton, produzidos há mais de 20 anos, tendo uma carreia meio apagada depois disso. Mais compatível que os dois, impossível. E sua escalação ao filme mostra-se um acerto no momento em que, vendo o filme, reconhecemos seu rosto e já trazemos com satisfação à memória seu auge cinematográfico de décadas passadas.

Todo o filme é realizado como se estivéssemos vendo uma tomada única, o que traz linearidade e uma sensação de teatralidade à narrativa. Mesmo porque, estamos testemunhando os bastidores das pré-estreias da peça teatral de Riggan. Ou seja, nada mais condizente do que vermos uma peça dentro de uma peça (e tudo isso dentro de um filme). Cenários se mudam e o tempo se desloca como nos palcos, seguindo às vezes um personagem, ou mesmo de forma tênue, com uma percepção que pode não ser imediata.

E aqui talvez tenhamos um certo problema com o filme. Todo o plano-sequencia, embora seja de uma ideia bastante satisfatória, torna a experiência um tanto cansativa, pela falta de pausas e excesso de movimentos circulares da câmera para interação com os diálogos dos personagens. Também, com uma quase obsessão em mostrar espelhos de frente, quebra um pouco a suspensão de descrença quando constantemente nos intrigamos sobre o truque utilizado para “apagar” o reflexo do equipamento de filmagem.

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Curiosamente, o protagonista pretende encenar uma peça baseada em obra de Raymond Carver, que também foi objeto para filmes como “Short Cuts: Cenas da Vida” (1993) e “Pronto para Recomeçar” (2010). Essas obras trazem uma forte carga sentimental, de angústias e dramas cotidianos, com pessoas comuns, o que muito se relaciona com os próprios acontecimentos dos bastidores da peça. Além disso, em um momento, Riggan relaciona Birdman com o ser da mitologia grega Ícaro, fazendo-nos pensar não só pela existência de asas em ambos, mas também pelas ambições do ator em sua tentativa de retomada. Em outro trecho, alguém recita um trecho de Macbeth, de Shakespeare, que também tinha profundas análises existencialistas em sua narrativa.

A propósito, o filme traz um recheio de personagens com conflitos familiares, profissionais e existenciais que podem fazer-nos pensar por um bocado de tempo. O que é a fama? E o que pode nos fazer de bem ou mal. E o que é o ostracismo, o medo de ser mal visto, o fracasso recorrente e iminente? Tudo isso nas costas do ator, que está à beira de uma explosão de sentimentos, que lida e trabalha com sentimentos alheios, e com seus próprios pode estar em falta.

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Sua trilha sonora é basicamente composta de sons de bateria, o que traz de imediato o ritmo de percussão mais emergencial, refletida pela situação angustiante de momentos que antecedem a uma importante estreia para o ator, e também referencia aos artistas de rua da Times Square, região da Broadway, que muitas vezes se utilizam desse instrumento para chamar a atenção dos transeuntes. Atenção é uma coisa que o espectador já tem quando vai assistir a este filme com alguns toques surreais, mas que ao mesmo tempo flerta com a própria realidade. Um paradoxo que a arte cinematográfica contribuiu em muito na sua mistura elemental de relação dos dois mundos, o real e o fantasioso (e o real do cinema e o fantasioso do cinema).

Nota: 8

O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel – 2014 – EUA – 100 min) – Crítica

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Como uma obra de arte em movimento, Wes Anderson consegue traduzir ao cinema de hoje todo o espírito da era de ouro da Europa

poster budapestÉ admirável quando vemos o cineasta traduzir, nas imagens projetadas na tela, toda a fantasia e ambientação do glamour europeu dos anos 30. São cenas pacientemente trabalhadas e detalhadas, com cores marcantes que nos dão uma rajada de símbolos ilustrando a magia que permeava a mente dos autores literários da época.

E como visão literária, cumpre observar que o filme é inspirado nos escritos do austríaco Stefan Zweig (que curiosamente morreu no Brasil), e retrata um fictício escritor dos anos 80, famoso e venerado por ter escrito um livro cujo título dá nome ao filme. Essa obra foi inspirada em conversa que o autor teve com o dono do decadente hotel nos anos 60, e trata de acontecimentos nos anos 30. A essência de literatura se intensifica quando observamos ao final de cada diálogo um “- ele disse”, como é feito em livros.

Com essas três linhas de tempo (anos 80 – 60 – 30), vemos também três razões de aspecto (formatos de tela), que espelham o que era normalmente projetado nos cinemas de cada época. Nada que confunda, apenas presta homenagem e retrata com fidelidade, não só móveis e decoração, como também figurino e contexto histórico. Até mesmo o ritmo também se diferencia, com um clima mais agitado, como nos antigos filmes dos anos 30 e um mais vagaroso quando chegamos aos anos 60.

Basicamente, vemos a história de M. Gustave, gerente do Grande Hotel Budapeste, que se vê injustamente acusado de matar uma velha senhora rica, que lhe deixou uma obra de arte como herança, e fica em meio a um complô dos familiares que querem tirar-lhe esse objeto.

A atuação de Ralph Fiennes como protagonista é primorosa, com seus trejeitos e dicção próprios para o cargo que lhe incumbe no rigor do trabalho e sutileza no tratamento dos hóspedes. E é um prazer também ver velhos parceiros do diretor, como Bill Murray, Owen Wilson, Jason Schwartzman e Bob Baladan atuando em pontas.

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Tudo é muito fantasioso. Desde os cenários suntuosos, até os diálogos e reações de personagens. Os herdeiros da velha rica são retratados quase como góticos (da forma que vilões seriam vistos em filmes antigos mudos), e os policiais com chapéus que lembram muito os Keystone Cops. Inclusive as cenas de ação mais parecem tiradas mesmo de um filme antigo, com técnicas próprias que nos deixam mais próximos da ambientação de época.

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Com uma trilha sonora rápida e envolvente, ao ritmo da Balalaica russa, a película cumpre seu dever de entreter, de prender a atenção do espectador, até seu trecho final. Talvez aí falhe em seu intuito, eis que sua finalização, além de um pouco piegas e repentina, dá a impressão de não corresponder com o restante da produção, digna de um antigo suspense policial com humor negro. Mas esse pequeno detalhe não esconde o que vários outros detalhes demonstram: que se trata de um belíssimo filme.

Nota: 9

Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário (Sainto Seyia: Legend of the Sanctuary – 2014 – Japão – 93 min) – Crítica

por Gabriel Escuderoos-cavaleiros-do-zodiaco-a-lenda-do-santuario-imagem-promocional

Na tentativa de trazer um novo fôlego da franquia para novos espectadores e ao mesmo tempo resgatar a adoração dos fãs de longa data, o filme falha nos dois aspectos, florescendo apenas a frustração.

Cavaleiros-do-Zodiaco-Lenda-do-Santuario-CartazUm grupo de heróis cuja missão é proteger a princesa na jornada até a vitória. É com esse mais clássico dos clichês de aventura que nos deparamos ao assistir ao filme. Essa mistura de mitologia grega e astrologia, com os toques de confrontos mano a mano, em magias e pancadaria, aliado ao caminho que a “menina especial” precisa trilhar para ser reconhecida como tal, é que permeia a produção. Mas uma base fértil não resulta em uma história fácil de digerir. Pelo menos não neste caso.

Baseado no famoso mangá criado por Masami Kurumada, esta produção serve como comemoração dos 40 anos de carreira do autor, o que não significa que fizeram jus a seu legado. Toda a bagagem trazida principalmente pelos animes dos anos 90 e seus produtos como bonecos e licenciados (o que se tem como o início da febre da cultura japonesa no Ocidente) não são suficientes para arrematar um sucesso na produção do longa. Percebe-se uma certa má vontade, ou mesmo uma pressa na conclusão, o que desfavorece sensivelmente a avaliação tanto técnica como emotiva.

A animação não é muito bem caprichada e há momentos de total preguiça e desatenção. Nota-se a falta de esmero nos movimentos e nas texturas dos ambientes. Mais parecem cenas tiradas de videogame do que um genuíno longa metragem de cinema. Sua trilha sonora também peca pela falta de criatividade, caindo na mesmice das fitas de ação e as batidas aceleradas e constantes.

O roteiro também não pode ser considerado coeso, eis que tudo parece acontecer muito rápido, com explicações didáticas forçadas e situações de pano de fundo apresentadas sem a menor cerimônia, como se soubéssemos já da vida dos personagens. Isso prejudica em muito os novos espectadores, que acabam por perder precioso tempo na tentativa de assimilar as razões e caráter de cada um dos personagens. Até as situações de emergência se tornam efêmeras e não trazem empatia alguma. Fica tudo com uma sensação morna que a premissa não permitiria.

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Não que tenha apenas defeitos, já que a simpatia e o carisma do protagonista, junto com situações engraçadas que são pinceladas durante a projeção, aliviam um pouco os deméritos da história. Algumas cenas de luta também vidram os olhos, e embora tenha dito sobre a falha da animação, a sequencia inicial ambientada no espaço traz um esmero ímpar que não se repetiu em seu decorrer.

Trazendo elementos originais que podem não agradar aos fãs mais exigentes e ainda não são facilmente digeridos pelos novos espectadores, Cavaleiros do Zodíaco poderia tentar agradar a um nicho apenas que talvez saísse mais vitorioso. É que quando queremos agradar todo o mundo, acabamos não agradando ninguém.

Nota: 5

As Tartarugas Ninja (Teenage Mutant Ninja Turtles – 2014 – EUA – 101 min) – Crítica

por Gabriel Escudero ninja cabecalho

Iniciando uma nova franquia para pelo menos uma trilogia, As Tartarugas Ninja traz toda a molecagem que os jovens exalam no comportamento lúdico e inconsequente.

ninja posterSabe aquela determinada fase da vida, quando estamos com os hormônios em ebulição e extravasamos pelas atitudes frenéticas e naquela ânsia de viver mais e mais? Pois bem, a adolescência é o cerne neste filme que, além de explosões e correrias que todo o filme de ação tem direito, também mostra os protagonistas digitais com uma personalidade jovial incrível.

Baseado nos personagens que surgiram primeiro em quadrinhos para depois seguir uma carreira sólida da cultura pop em desenhos e videogames, As Tartarugas Ninja é o ápice do que a tecnologia de captura de movimentos pode proporcionar, e convenhamos, só assim para acreditarmos em tartarugas antropomórficas. Tecnicamente, o filme é um primor que só uma produção com a chancela de Michael Bay (da série Transformers) poderia trazer à tona.

Mas não se pode dizer o mesmo do roteiro de das atuações, que beiram o marasmo, pra não dizer absurdo. É tanto furo na narrativa que notamos até um cansaço mental de todas as inúmeras indagações que criamos durante a história. São erros de continuidade, decisões inconcebíveis de personagens, frases forçadas de efeito e incongruências na forma narrativa que mostram que realmente todo o investimento milionário acabou por focar na parte visual, em detrimento do intelectual.

Talvez a grande massa das críticas negativas iniciais a este filme tenha vindo da ótica mais racional do aspecto narrativo da produção, porém não há que se negar que as virtudes técnicas da produção suplantam as falhas. E também não podemos deixar de perceber que as diferentes personalidades de cada tartaruga trazem um tom complexo para os protagonistas que foi trabalhado até de maneira bastante aceitável para os padrões de blockbusters atuais.

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As inúmeras referências de cultura pop mencionadas pelas tartarugas (principalmente Michelangelo), referindo-se a super-heróis, gêneros musicais e até seriados, fazem com que o espectador, reconhecendo tais referências (e qualquer jovem adulto – púbico-alvo do filme – poderá perceber), veja isso com satisfação e ache até divertido durante a projeção. As tartarugas, adolescentes que são, se interessam por tudo de cultural que aconteceu na última década, e isso traz a proximidade intencionada, fazendo que o espectador assuma a falta de brilhantismo narrativo e acabe curtindo uma boa e velha ação frenética descerebrada.

Certamente teremos continuações desse filme. A fórmula é a mesma de Transformers. Pode não agradar aos mais exigentes, mas a experiência pode ser positiva ao encarar que estamos vendo um filme de tartarugas mutantes. E ninjas. E adolescentes.

Nota: 7

Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy – 2014 – EUA – 121 min) – Crítica

por Gabriel Escudero 

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Recheado de músicas setentistas, em uma aventura espacial divertida e bem humorada, “Guardiões da Galáxia” resgata os bons tempos das matinês.

guardians-of-the-galaxy-poster-new-HDUma coisa se pode falar do filme: você sai leve, de alto astral, com vontade de viver novas aventuras com o grupo. E esse mérito se deve a um recurso inusitado usado na produção, que é a música diegética como elemento indicador do clima da história.

O protagonista, Peter Quill, é uma criança dos anos 80 que possui um walkman com uma fita reunindo faixas clássicas dos anos 70, por influência de sua mãe. Como todo bom pré-adolescente da época, saía com seu aparelho na cintura pra todo o canto, ouvindo as músicas inspiradoras. Pois bem, ele é abduzido e pulamos para sua fase adulta, quando se torna um explorador espacial (mais como um bandido, que rouba objetos valiosos de planetas inóspitos), e lá vai música novamente no mesmo walkman.

E isso vemos durante a projeção de todo o filme. Se no começo ele escuta uma canção mais depressiva, o que denota aflição ao se deparar com sua mãe doente, passa a ouvir uma mais dançante, empolgado com a premente captura de um objeto valioso, bem como a uma mais romântica, ao se deparar com uma possível relação amorosa.

A música é um dos fatores que torna esta narrativa muito interessante e atrativa, vez que atiça nossos sentidos e nos traz empatia com o protagonista. E devo dizer que, ao final, sem soltar spoilers, o clima alto-astral deve-se principalmente pela música tocada.

Um tópico que merece pleno destaque também são os efeitos e maquiagens, que trouxeram vivacidade e referência ao ambiente das histórias em quadrinhos. Com seus coloridos verdes e azuis ,os alienígenas retratados no filme são de uma afinação ímpar, notadamente as “filhas” de Thanos, Nebula e Gomora, que espelham o cuidado que se mostrou na produção quanto à caracterização dos personagens.

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Quanto aos efeitos, vemos os personagens digitais ganharem destaque pela facilidade de interação com o ambiente natural e seus colegas de carne e osso. A dupla Rocket e Groot formam o perfeito status do avanço que a tecnologia pode proporcionar ao conferir simpatia, por mais absurdo que o antropomorfismo possa parecer.

Mas o que realmente denota uma individualidade ao filme, que não o faz parecer com muitos outros do gênero que vemos por aí, é a capacidade de se fazer rir, sem parecer paródia. São diálogos bem sacados, cheios de ironia, sem contar as gags visuais e as situações absurdas que permeiam a história. Certamente uma toada diferente da que ultimamente se via, principalmente às produções com personagens da DC, com tom mais sério e realista.

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O clima de aventura espacial vista no filme desde já nos remete a “Star Wars” e mais alguns títulos vindos dos anos 80, especialmente “O Último Guerreiro das Galáxias”, mas temos também que trazer créditos a “Firefly”, seriado que muito se assemelha ao ambiente tanto espacial quanto bem-humorado do filme. Vale destacar que a série, não à toa, foi criada por Joss Whedon, diretor de “Os Vingadores” e consultor criativo dos filmes da Marvel desde então.

E por falar em filmes dos anos 80, nota-se uma semelhança entre a sequencia da captura do artefato no início do filme, com a do ídolo de “Os Caçadores da Arca Perdida”, o que já nos traz a grata remissão às aventuras de matinês, que se encaixa perfeitamente na narrativa de “Guardiões”.

Contudo, para não se dizer que tudo são flores no filme, há que se criticar a forma com que trataram da personagem Gomora. Um tanto forçado ao colocar suas reais intenções (o que se repete quanto à sua “irmã” Nebula), e também uma certa unidimensionalidade ao mostrar seu papel na formação grupo. Em outras situações, embora pareçam engraçadas, mostram que forçaram um pouco a barra ao solucionar uma situação que precisava ser urgentemente pensada.

Mas enfim, o que fica é a ideia de grupo, de que podemos fazer e acontecer se trabalhamos em conjunto, e que, apesar das adversidades e de eventuais tristezas, podemos nos levantar e viver plenamente novos desafios.

O uso de efeitos 3D no filme não atrapalham a narrativa e até nos faz imergir ainda mais no ambiente, pelos seus objetos flutuando, que mostram toda a profundidade de um espaço sideral. São pequenos detalhes que não servem para a narrativa em si, mas deixam a experiência um pouco mais densa.

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Composto de um elenco bastante eclético, com um até então desconhecido Chris Pratt como protagonista, Glenn Close em ponta mais burocrática e Benício del Toro em uma cena chave, a produção ousa em trazer o nome de Vin Diesel, certamente um chamador de bilheteria, dublando apenas uma frase repetidas vezes. É curioso e o resultado bastante eficaz para o filme.

“Guardiões” inaugura uma nova fase para o universo cinemático da Marvel, em sua ambientação cósmica. Mas não apenas isto, ele pode trazes uma nova visão sobre o gênero de adaptação de quadrinhos, deixando de se levar muito a sério e assumindo o que o público realmente pretende ver nessas aventuras, que é a diversão. Bom é que, no próprio filme, já avisam que “The Guardians of the Galaxy will return”!

E aguardem para a cena pós-créditos, já tradicional na Marvel, que embora acredite que não sirva como aperitivo para uma próxima produção, traz um inusitado personagem, que para quem conhece do histórico no cinema, será no mínimo curioso e engraçado. Como se a Marvel no final tivesse fazendo graça dela mesma.

Nota: 9

[CRÍTICA] É O FIM (2013)

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Com uma ideia simples e uma produção modesta, o filme da turma de Seth Rogen acerta na cumplicidade com o espectador.

end posterSabe quando grandes amigos se reúnem e a conversa ganha contornos engraçadíssimos? Cada um recorda de fatos pitorescos e joga na roda apenas para ver o circo pegar fogo. Pois é isso que acontece com “É o Fim”. Esse filme é um grande encontro, onde nós somos os participantes e testemunhas de tudo.

Digo participantes porque a produção se empenha em trazer várias carinhas conhecidas para nos familiarizarmos com o ambiente e ficarmos mais atraídos pela narrativa. É lógico que só quem conhece o atual cenário da comédia americana é que vai aproveitar mais o filme. São todos atores já consagrados no estilo de humor que proporcionam. É um humor mais subversivo, escatológico, meio politicamente incorreto, com brincadeiras que beiram o da molecagem. E o filme é cheio disso.

Mas tal constatação não significa que a película seja ruim. Muito pelo contrário. Ao utilizar o recurso da proximidade do espectador para contar a sua história, o filme acerta no alvo e proporciona momentos de pura diversão e cumplicidade. É muito engraçado entendermos as piadas contadas de uma forma que apenas um cinéfilo compreenderia. São tantas referências às produções que os mesmos atores participaram, que fica difícil não tachar de uma sátira à própria condição de celebridade do cinema que os “personagens” são.

O filme narra a história de um ator (Jay Baruchel), que vai visitar seu amigo ator (Seth Rogen), que propõe, meio que contra a vontade daquele, que compareçam à festa de um outro ator (James Franco). É quando, durante essa festa, o Apocalipse se instaura, levando várias pessoas para o céu o para o inferno, e o grupo de amigos deve trabalhar seus egos e assuntos pessoais não resolvidos para sobreviver. Basicamente é um evento onde várias pessoas ficam confinadas e precisam se relacionar.

E onde reside o fator positivo? Justamente em tratar o espectador como um integrante do grupo, compartilhando as peculiaridades e conversas amigas de um com o outro, e fazendo-nos, de fato, nos simpatizarmos com cada um dos integrantes.

Seth Rogen;Jay Baruchel;Jonah Hill

Embora aparentemente a produção fique um pouco aquém do esmero visual, é certo que isso não é tão necessário em uma produção desse porte, onde o importante é o que se pretende passar ao público de conteúdo e não de aparências. E diria que o filme é bem rico nisso.

Não é para qualquer um assistir. Não vá reunir sua família, com a namorada e os pais dela para verem juntos. Chame seus amigos, abra uma cerveja e divirta-se.

Nota: 8 (o céu é o limite)

1170481 - The End Of The World

COLUMBIA PICTURES apresenta

uma produção POINT GREY / MANDATE PICTURES

“É O FIM”

direção SETH ROGEN, EVAN GOLDBERG

argumento e roteiro SETH ROGEN, EVAN GOLDBERG

baseado no curta metragem “Seth and Jay versus the Apocalypse” por JASON STONE

produção SETH ROGEN, EVAN GOLDBERG, JAMES WEAVER

produção executiva NATHAN KAHANE, NICOLE BROWN, JASON STONE

produção executiva BARBARA A. HALL, ARIEL SHAFFIR, KYLE HUNTER

diretor de fotografia BRANDON TROST

diretor de arte CHRIS SPELLMAN

montagem ZENE BAKER

JAMES FRANCO

JONAH HILL

SETH ROGEN

JAY BARUCHEL

DANNY McBRIDE

CRAIG ROBINSON

com MICHAEL CERA

e EMMA WATSON

MINDY KALING

DAVID KRUMHOLTZ

CHRISTOPHER MINTZ-PLASSE

RIHANNA

MARTIN STARR

elenco FRANCINE MAISLER csa

música HENRY JACKMAN

supervisão musical JONATHAN KARP

figurino DANNY GLICKER

supervisão de efeitos visuais PAUL LINDEN

co-produção JAY BARUCHEL, MATHEW LEONETTI JR

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[CRÍTICA] R.I.P.D. – AGENTES DO ALÉM (2013)

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Uma comédia sobrenatural de ação que não acerta em nenhum quesito. É a mais recente bomba de Ryan Reynolds.

ripd posterJá no início da projeção, somos colocados no meio de uma perseguição, onde acontecem piadinhas sem graça, aparece um monstro totalmente mau feito, e situações fora de contexto surgem repentinamente na tela. Desde então, essa primeira má impressão vai se perdurar durante todo o filme, tornando uma experiência desconfortável para o expectador.

E olha que o tema poderia render uma boa aventura fantástica. Baseado em quadrinhos da editora Dark Horse, conta a história de um policial, que quando resolve não participar de um plano de corrupção do colega, acaba sendo alvo de uma emboscada que tira sua vida. Partindo para o além, é escolhido para integrar a “delegacia do céu”, que tem como missão capturar os “mortos” que se recusam a partir da terra. Daí vem a sigla “Rest in Peace Department”.

Acontece que um bom tema não necessariamente rende um bom filme. E neste caso, acontecem tantas decisões equivocadas, como por exemplo o roteiro mal elaborado, as atuações caricatas, forçadas em um nível de descrença, e também o já mencionado fiasco dos efeitos especiais, que, em um plano geral, a produção não teria outra saída que não encarar seu fracasso na opinião especializada.

Todo o desenrolar lembra um pouco “Homens de Preto”, mas sem o seu charme tampouco suas qualidades textuais. Até mesmo o caso do parceiro novato relacionando com o experiente acontece neste filme, com uma diferença que poderia até ser útil, mas é bem pouco explorada pelo filme: os policiais são de épocas diferentes, sendo o mais velho do velho oeste e o outro dos dias atuais. Seria uma bela fonte para extrairmos diferenças de comportamento, de modus operandi de trabalho, enfim… Nada trabalhado de forma a tornar um pouco digerível a película.

A sensação que fica é a de que o filme nunca chega onde realmente queríamos que chegasse. Fica no meio do caminho. O diretor (o mesmo de “R.E.D. – Aposentados e Perigosos”) até se esforça um pouco para inovar em movimentação de câmera, montado uma narrativa mais ágil e pretensamente mais atraente. Contudo, suas escorregadas, tanto no comando das atuações, aliado ao fraquíssimo roteiro, quanto na supervisão de pós-produção, com suas capengas animações computadorizadas feita às pressas, se sobressaem ao saldo. Um pena ver Jeff Bridges, um ator tão versátil e com carreira respeitosa, interpretando de forma estereotipada e preguiçosa o velho cowboy sulista americano.

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No fim, ficamos decepcionados com o resultado, certo de que haveria material para uma boa matinê, com possíveis inspirações de “Os Caça-Fantasmas”, ou qualquer outra produção bem sucedida de fantasia. É, nesse caso não devemos mesmo mexer com os mortos… Deixe-os lá no outro plano que fica melhor.

Nota: 4 (Descanse em Paz, mesmo)

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UNIVERSAL PICTURES apresenta

uma produção ORIGINAL FILM / DARK HORSE ENTERTAINMENT

“R.I.P.D. – AGENTES DO ALÉM”

dirigido por ROBERT SCHWENTKE

roteiro por PHIL HAY, MATT MANFREDI

argumento por DAVID DOBKIN, PHIL HAY, MATT MANFREDI

baseado nos quadrinhos Dark Horse criados por PETER M. LENKOV

produzido por NEAL H. MORITZ pga, MIKE RICHARDSON, MICHAEL FOTTRELL

produtores executivos ORI MARMUR, RYAN REYNOLDS, JONATHON KOMACK MARTIN

produtores executivos DAVID DOBKIN, KEITH GOLDBERG, PETER M. LENKOV

diretor de fotografia ALWIN KUCHLER bsc

diretor de arte ALEC HAMMOND

montagem MARK HELFRICK ace

JEFF BRIDGES

RYAN REYNOLDS

KEVIN BACON

MARY-LOUISE PARKER

STEPHANIE SZOSTAK

ROBERT KNEPPER

JAMES HONG

MARISA MILLER

MIKE O’MALLEY

DEVIN RATRAY

música de CHRISTOPHE BECK

figurino por SUSAN LYALL

elenco DEBORAH AQUILA csa, TRICIA WOOD csa

supervisor de efeitos visuais MICHAEL J. WASSEL

um filme de  ROBERT SCHWENTKE

“R.I.P.D. – AGENTES DO ALÉM”

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